Polícia intercepta plano para matar deputado Marcelo Freixo, no Rio

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O setor de inteligência da Secretaria de Segurança Pública informou que três milicianos, entre eles um policial militar, pretendiam assassiná-lo

Marcelo Freixo ao lado da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), assassinada no dia 14 de março deste ano. Foto: Luke Garcia

Folha UOL

A polícia interceptou, nesta quarta (12), um plano de milicianos que pretendiam matar o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro, neste ano, durante um evento em Campo Grande, bairro da zona oeste do Rio.

O atentado ocorreria na manhã deste sábado (15), quando o parlamentar se reuniria com militantes do PSOL no sindicato de professores da rede particular da cidade (Sinpro) para debater sobre a conjuntura política do país e do estado, atividade que foi divulgada em suas redes sociais.

O evento foi cancelado após a equipe de Freixo receber, na tarde desta quarta, um comunicado do setor de inteligência da Secretaria de Segurança Pública informando que três milicianos, entre eles um policial militar, pretendiam assassiná-lo naquele bairro. Também receberam o alerta policiais civis, militares e o Ministério Público estadual.

As informações vieram por meio do Disque Denúncia, serviço de denúncias anônimas do estado. O caso foi revelado pelo jornal O Globo, segundo o qual os suspeitos estariam ligados também ao controle de operações ilegais da máfia de caça-níqueis e do jogo do bicho.

De acordo com a equipe do político, por enquanto não há qualquer indício de relação do episódio com os assassinatos de Marielle Franco, que já foi assessora e era amiga de Freixo, e seu motorista Anderson Gomes. A região das ameaças, porém, é reduto de milícias, que segundo o secretário de Segurança do Rio, general Richard Nunes, “com toda certeza” estão envolvidas na morte da vereadora.

Freixo presidiu a CPI das Milícias na Alerj (Assembleia Legislativa do estado) há dez anos e, desde então, passou a receber diversas ameaças de morte e a contar com proteção policial. No relatório final da comissão, ele pediu o indiciamento de mais de 200 políticos, policiais, agentes penitenciários, bombeiros e civis e listou medidas a serem tomadas para enfrentar esses grupos.

“Milicianos continuam assassinando, ameaçando autoridades, tiranizando milhares de pessoas abandonadas pelo Estado nas regiões mais pobres do Rio”, publicou o deputado em suas redes sociais nesta quinta (13) ao comentar a nova ameaça. “Freixo é deputado federal eleito. Por isso, não se trata apenas de uma ameaça pessoal, é mais do que isso. Trata-se de uma ameaça à democracia”, escreveu.

“Não estou tranquilo nem posso estar”, afirmou ainda.​

Em nota, a bancada do PSOL na Câmara exigiu proteção a Freixo também em Brasília e disse que cobraria providências do atual e do futuro governo.

“A responsabilidade pela proteção a Freixo e a tantos defensores de direitos humanos ameaçados é do Estado brasileiro. O hediondo plano de execução de Freixo é a urdidura de um atentado contra o Estado Democrático de Direito. Merece repúdio de todos os que prezam pelos mais elementares princípios civilizatórios. E ação efetiva para evitar que tais tramas —​de absurda continuidade—​ ​​continuem a ser articuladas”, diz a nota, assinada pelo deputado Chico Alencar (RJ), líder do PSOL na Câmara. ​

Mais cedo nesta quinta, a Polícia Civil do Rio cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão ligados às mortes de Marielle e do motorista Anderson Gomes.

Agentes da Delegacia de Homicídios da capital foram a 15 endereços nos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, para mandados oriundos de inquéritos paralelos —o do caso Marielle ainda não foi concluído​.​

Em um primeiro momento, o cumprimento destes mandados não está diretamente relacionado com a ameaça à Freixo. O deputado disse ser precipitado relacionar os casos.

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