Pedro Bial diz que ‘Democracia em Vertigem’ é ficção alucinante e tem narração insuportável

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Apresentador afirmou que deu muita risada com documentário de Petra Costa

Foto: Reprodução / Gshow

Folha de São Paulo

Pedro Bial, 61, provocou polêmica, nesta segunda (3), ao afirmar que o documentário Democracia em Vertigem, de Petra Costa, “é uma ficção alucinante” e que ele deu muita risada ao ver o filme, que é um dos indicados ao Oscar.

O apresentador falou sobre o assunto em entrevista ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha. “Achei muito engraçado o filme [Democracia em Vertigem]. É um non sequitur [inconsistência lógica] atrás do outro.”

Bial criticou a narração de Petra Costa que, na sua visão, “é miada, insuportável”. “Ela fica choramingando o filme inteiro.”

Para ele, a leitura mais interessante para o documentário é a psicanalítica. “É um filme de uma menina dizendo para a mamãe dela que fez tudo direitinho, que ela está ali cumprindo as ordens e a inspiração de mamãe, somos da esquerda, somos bons, nós não fizemos nada, não temos que fazer autocrítica. Foram os maus do mercado, essa gente feia, homens brancos, que nos machucaram e nos tiraram do poder, porque o PT sempre foi maravilhoso e o Lula é incrível”, disse ele, em referência à aparição da mãe de Costa, que lutou contra a ditadura militar, no filme

“É uma ficção alucinante. É mais que maniqueísmo, é uma mentira”, afirmou. Apesar dessas características negativas, ele disse que o “filme é bom” e que Petra tem todo o direito de colocar a sua visão da história.

Bial citou a análise “Imparcialidade em documentários é ideia superada há muito tempo”, feita por Renato Terra, e publicada nesta segunda-feira (3), na Folha de S. Paulo. “É um artigo brilhante, dizendo que de documentário não se deve exigir informação ou objetividade, mas se espera uma experiência. E isso o documentário dela [Petra Costa] provê. Agora cada um reage a experiência de um jeito. Eu reagi às gargalhadas, outros vão reagir com raiva, outros podem reagir se sentindo representados.”

Na disputa com o documentário “Indústria Americana”, ele diz acreditar que a Academia dá o prêmio ao brasileiro. Mas afirmou que o sírio “For Sama” pode ganhar, embora ainda não tenha visto a produção.

Bia elogiou outras produções de Petra Costa, como “Elena”, de 2012. “Eu acho bacana que ela possa fazer o filme dela, é uma ótima cineasta. ‘Elena’, o primeiro filme dela, é bem urdido, profundo, bem contado”, disse.

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