Coronavírus leva OCDE a reduzir projeções para economia global em 2020

0
284

Na China, a taxa de crescimento é de 4,9%, uma redução de 0,8 ponto percentual ante a estimativa anterior (5,7%)

G1

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) reduziu a previsão de crescimento da economia mundial para 2020, passando a projetar um crescimento de 2,4%, menor expansão desde 2009 frente à expectativa anterior (2,9%). O coronavírus e as contrações na produção chinesa são os vilões da nova projeção.

“As perspectivas econômicas globais permanecem moderadas e muito incertas devido ao surto de coronavírus”, destacou a OCDE no relatório, citando inclusive o risco de contração na economia global no primeiro trimestre.

A principal mensagem para esse cenário de recuo é de que ele colocará muitos países em recessão, motivo pelo qual pedimos que medidas urgentes sejam adotadas nas áreas afetadas o mais rápido possível”, disse à Reuters a economista-chefe da OCDE, Laurence Boone.

A OCDE passou a projetar para a China uma taxa de crescimento de 4,9%, o que representa uma redução de 0,8 ponto percentual ante a estimativa anterior (5,7%), divulgada em novembro. A segunda maior economia do mundo vai se recuperar em 2021 para níveis pré-coronavírus com crescimento de 6,4%, estima a organização.

Para os EUA, a projeção de alta em 2020 foi reduzida de 2% para 1,9%, indo a 2,1% em 2021.

Já para o Brasil, a projeção de crescimento foi mantida em 1,7% em 2020 e em 1,8% em 2021. O mercado brasileiro reduziu a estimativa de alta do PIB em 2020 para 2,17%, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central, mas bancos e consultorias vem reduzindo as projeções e diversas instituições já estimam um crescimento abaixo de 2%.

Na zona do euro, onde o número de casos está aumentando rápido, a expansão foi estimada em 0,8% ante 1,1% em novembro, com a Itália registrando estagnação este ano. O crescimento da zona do euro deve subir para 1,2% em 2021.

Crescimento pode ser ainda menor se vírus se espalhar

Segundo a OCDE, a estimativa de uma redução de 0,5 ponto percentual no crescimento global em 2020 leva em conta um cenário no qual a epidemia do coronavírus “tenha um pico na China no primeiro trimestre” e surtos “moderados e contidos” em outros países.

De acordo com a instituição, um surto de coronavírus mais duradouro e mais intensivo, com a epidemia se espalhando, pela Ásia, Europa e América do Norte, poderia levar a taxa de crescimento global a um patamar de apenas 1,5% em 2020.

Por outro lado, a organização projetou que a economia global pode se recuperar com um crescimento de 3,3% em 2021, assumindo que a epidemia atinja o pico na China no primeiro trimestre deste ano e outros surtos sejam contidos.

Ela disse que os governos precisam dar suporte aos sistemas de saúde com pagamentos extras ou benefícios fiscais para trabalhadores que fazem horas extras e esquemas de trabalho para empresas que enfrentam recuo na demanda.

Autoridades do Federal Reserve, Banco Central Europeu e Banco do Japão sinalizaram nos últimos dias que estão prontos para mais estímulos, se necessário.

Até agora, a coordenação internacional parece estar limitada ao G7, cujos ministros das Finanças devem realizar uma teleconferência nesta semana, disse o ministro das Finanças da França, Bruno Le Maire, nesta segunda-feira.

Deixar um comentário

Por favor, digite seu comentário
Por favor, coloque seu nome aqui