Bolsonaro admite falta de apoio popular para determinar agora a reabertura do comércio

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A afirmação foi dita durante entrevista à rádio Jovem Pan, nesta quinta (2)

Foto: Pedro Ladeira / Folhapress

Folha UOL

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reconheceu, nesta quinta (2), que ainda não tem apoio popular suficiente para determinar uma reabertura da atividade comercial no país. A afirmação foi dita durante entrevista à rádio Jovem Pan.

“Eu estou esperando o povo pedir mais, porque o que eu tenho de base de apoio são alguns parlamentares. Tudo bem, não é maioria, mas tenho o povo do nosso lado. Eu só posso posso tomar certas decisões com o povo estando comigo”, disse.

O presidente defendeu que, a partir da próxima segunda-feira (6), estados e municípios determinem uma reabertura gradual da atividade comercial, evitando um aumento no desemprego.

Ele ressaltou que já tem pronto em sua mesa um modelo de proposta para determinar que os estabelecimentos comerciais sejam considerados uma atividade essencial durante a pandemia do coronavírus.

“Eu tenho um projeto de decreto pronto na minha frente para ser assinado, se preciso for, considerando atividade essencial toda aquela exercida pelo homem e pela mulher através da qual seja indispensável para levar o pão para a casa todo dia”, disse.

O presidente ressaltou, no entanto, que tem sofrido ameaças para não assiná-la, entre elas até mesmo a abertura de um processo de impeachment no Legislativo. Ele não especificou, no entanto, quem o tem ameaçado.

“Eu, como chefe de Estado, tenho de decidir. Se tiver que chegar a esse momento, eu vou assinar essa medida provisória. Agora, sei que tem ameça de tudo o que é lugar para cima de mim se eu vier a assinar. Até de sanções tipo buscar um afastamento, sem qualquer amparo legal para isso”, enfatizou.

Bolsonaro negou que possa escalar as Forças Armadas para abrir de maneira forçada os estabelecimentos comerciais e disse que não cogita renunciar ao mandato.

“Da minha parte, a palavra renúncia não existe. Eu fico feliz até por estar na frente [do combate] a um problema grande como esse. Fico pensando como estaria o outro que ficou em segundo lugar [Fernando Hadda (PT)] no meu lugar aqui”, disse.

Bolsonaro reconheceu um eventual processo de impeachment por crime de responsabilidade fiscal preocupa pela possibilidade de criar uma instabilidade política em seu mandato.

Ele lembrou das dificuldades administrativas, como a aprovação de uma reforma da Previdência, enfrentadas pelo seu antecessor, Michel Temer (MDB), após a Procuradoria-Geral da República ter apresentado duas denúncias contra o emedebista.

“A questão de impedimento tem uma série de regras que, se você ferir, entra na Lei de Responsabilidade Fiscal. Então, essa é uma preocupação muito grande da nossa parte. Porque, se chegar lá, a gente vai ter problemas”, afirmou Bolsonaro.

Para o presidente, após a pandemia do coronavírus, a economia brasileira levará um ano para se recuperar. Na entrevista, ele disse ainda que fará um chamado nacional para que a população brasileira faça um dia de jejum religioso para que o país “fique livre desse mal”.

“A gente vai junto com pastores e religiosos anunciar para pedir um dia de jejum ao povo brasileiro em nome de que o Brasil fique livre desse mal o mais rápido possível”, disse.

Mais cedo, na entrada do Palácio da Alvorada, o presidente conversou com pastores evangélicos e indicou que o jejum poderia ser convocado neste domingo (5).

Mais cedo nesta quinta-feira, ao falar com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro voltou a criticar governadores por medidas de restrição à circulação e disse que o governador João Doria (PSDB) “acabou com o comércio em São Paulo”.

Segundo o presidente, as ações tomadas por Doria, por serem excessivas, se converteram num “veneno”.

“Acabou ICMS, vai ter dificuldade para pagar a folha agora, com toda certeza, nos próximos um ou dois meses. E [Doria] quer agora vir pra cima de mim. Tem que se responsabilizar pelo que fez. Ele tem que ter uma fórmula agora de começar a desfazer o que ele fez de excesso há pouco tempo. Não vai cair no meu colo essa responsabilidade. Desde o começo, eu estou apanhando dele e mais alguns exatamente por falar isso.”

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