ANÁLISE: Material genético novo coronavírus é encontrado em esgoto, diz Fiocruz

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O estudo quer monitorar a disseminação do vírus ao longo da pandemia de Covid-19

Foto: Josué Damacena, IOC / Fiocruz

Mais Agreste, com Fiocruz

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a prefeitura de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, iniciaram um estudo que confirmou a presença de material genético do novo coronavírus (Sars-CoV-2) em amostras do sistema de esgotos da cidade. A iniciativa visa acompanhar o comportamento da disseminação do vírus ao longo da pandemia de Covid-19.

Os primeiros resultados mostram a eficácia da metodologia na ampliação da vigilância de propagação da doença. Na primeira semana, foi possível detectar material genético em amostras de esgotos em cinco dos 12 pontos de coleta – três poços de visita (PVs) de troncos coletores do bairro de Icaraí e nas entradas da ETE Icaraí e ETE Camboinhas. Para tanto, os pesquisadores utilizaram o método de ultracentrifugação, tradicionalmente empregado para concentração de vírus em esgotos, associado a técnica de RT-PCR em tempo real, indicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). As amostras coletadas na segunda e terceira semanas estão em fase processamento.

O projeto utilizou a análise de amostras de esgotos como um instrumento de vigilância após recentes vidências científicas revelarem que o novo coronavírus é excretado em fezes. Com isso, o estudo quer identificar regiões com presença de casos da doença, mesmo os ainda não notificados no sistema de saúde. O monitoramento ambiental realizado pela Fiocruz, que desenvolve atividades de pesquisa na área de Virologia Ambiental há mais de 15 anos, está alinhado com estudos científicos internacionais, que têm demonstrado a importância da vigilância baseada em esgotos para a detecção precoce de novos casos de Covid-19.

“Este estudo confirma a importância da vigilância baseada em águas residuárias como uma abordagem promissora para entender a ocorrência do vírus em uma determinada região geográfica, assim como a inserção da Virologia Ambiental nas Políticas Públicas de Saúde”, explicou a chefe do Laboratório de Virologia Comparada e Ambiental do IOC/Fiocruz e responsável pela pesquisa, a pesquisadora Marize Pereira Miagostovich.

Contudo, a virologista ressalta, que até o momento, não existem evidências científicas sobre a possibilidade de transmissão do vírus por rota fecal-oral, a exemplo do que acontece em outras doenças de transmissão hídrica causadas por vírus, bactérias e protozoários. “Nossas análises detectam a presença de fragmentos de material genético do vírus, indicando que existe presença de casos positivos em determinada localidade. Porém, ainda não há evidências na literatura científica de que, quando excretado nas fezes, o vírus ainda esteja viável para infectar outras pessoas”, esclarece. Até o momento, a via respiratória é o principal modo de transmissão, através de gotículas respiratórias geradas pela tosse ou espirros.

As análises são lideradas pelo Laboratório de Virologia Comparada e Ambiental do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), em colaboração com o Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo, também do IOC/Fiocruz. O planejamento e realização das coletas é feito pelo Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz), em colaboração com a concessionária Águas de Niterói, que opera os serviços de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgotos da cidade.

Como estão sendo realizadas as coletas

As primeiras coletas foram realizadas no dia 15 de abril, através de amostras de esgoto bruto em 12 pontos georreferenciados e estrategicamente distribuídos pela cidade, incluindo estações de tratamento de esgotos (ETEs), pontos de descarte de efluente hospitalar e rede coletora de esgotos, nos bairros de Icaraí, Jurujuba, Camboinhas, Maravista, Sapê e nas comunidades do Palácio, Cavalão, Preventório, Vila Ipiranga, Caramujo, Maceió e Boa Esperança. A previsão é de que, na primeira etapa do projeto, o monitoramento seja realizado durante quatro semanas, com possibilidade de prorrogação.

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