Apoiadores protestam contra STF e recebem aceno de Bolsonaro no Planalto

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O presidente disse que que as “Forças Armadas” estão com o povo em meio a manifestações, em Brasília

Foto: TV Globo / Reprodução

UOL

Aglomerados em meio à Esplanada dos Ministérios, em frente ao Congresso Nacional e ao Palácio do Planalto, em Brasília, um grupo de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez, na manhã deste domingo (3), um protesto contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) – principalmente Alexandre de Moraes e Dias Toffoli – e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM). Além disso, pedem o fim do isolamento social como forma de conter o novo coronavírus.

“Não apoiamos Doria, Maia, Witzel e Moro. Queremos trabalhar”, disse um dos apoiadores em um carro de som.

O grupo recebeu um aceno do presidente Jair Bolsonaro, que desceu a rampa do Palácio do Planalto e realizou uma live. O presidente disse que não vai mais admitir interferência em seu governo, afirmando ainda que as “Forças Armadas” estão com o povo em meio a manifestações, em Brasília.

“Nós queremos uma independência verdadeira dos Três Poderes. Não vamos admitir interferência”, disse. Não houve referência direta, mas, na última semana, Bolsonaro se queixou diretamente do papel do STF, especificamente do ministro Alexandre de Moraes, na decisão de barrar liminarmente a nomeação de Alexandre Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal.

De mãos dadas com a filha caçula, Laura, o presidente chegou descer a rampa para acenar aos manifestantes.

Manifestantes acamparam na Esplanada

O Brasil registrou cerca de 96 mil casos de covid-19 e deve chegar hoje a mais de 100 mil pessoas contaminadas, com mais de 7.500 pessoas mortas. É dia de sol e calor em Brasília. Nas calçadas, ambulantes vendem bandeiras do Brasil. Muitas pessoas também circulam a pé e de bicicleta pela área.Parte dos manifestantes passaram a madrugada acampados ao lado do Palácio do Alvorada e na Esplanada dos Ministérios. Uma carreata pedindo o fim do isolamento social provocado pela quarentena também percorreu as ruas da capital federal na manhã deste domingo. Dentro de centenas de carros, gritam palavras de ordem contra o presidente da Câmara dos Deputados e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Entre as faixas colocadas pelos manifestantes, estavam “O ministro Alexandre de Moraes está tramando um golpe?”, “O senhor não manda nesse país. Não aceitamos mais isso. O seu inquérito das fake news é fake, é inconstitucional” e “Fora Maia, fora STF. Esse é o recado do Rio Grande do Sul”.

Moraes é alvo dos bolsonaristas por determinar a suspensão da posse de Alexandre Ramagem como diretor da Polícia Federal, depois de indicação do presidente Jair Bolsonaro. Maia sem sofrido ataques frequentes do presidente e de seus apoiadores.

De cima de um caminhão, uma apoiadora gritava palavras de ordem: “O senhor está aqui com a gente. Vamos agradecer. Quem puder, ajoelhe. Quem puder ajoelha e vamos agradecer o senhor por estarmos aqui. Pelo nosso presidente. Vamos fazer uma oração e o senhor vai saber que nós brasileiros estamos aqui e não foi por mortadela. O senhor sabe onde o senhor está. Que aqui nós somos brasileiros e honramos o seu nome e a nossa fé”.

Desde o início da pandemia, o presidente minimiza a doença, diz que não se trata de nada grave e insiste em convencer as pessoas a irem para a rua, uma posição que seu próprio Ministério da Saúde, além de autoridades e especialistas do Brasil e do mundo, rejeitam duramente.

Crianças e idosos participaram do protesto
Crianças, adultos e idosos participaram da manifestação, contrariando as orientações das autoridades de saúde para evitar aglomerações. Dois grandes grupos se formaram: um em frente ao Congresso Nacional e outro em frente ao Palácio do Planalto. Além deles, carros davam voltas na Esplanada dos Ministérios buzinando.

Muitas pessoas usavam máscara, mas era possível ver idosos sem o equipamento de segurança e sem camiseta. Além disso, os manifestantes tiravam as máscaras com frequência, diante do forte calor na capital do país.

Ambulantes aproveitaram o protesto para vender água, picolé, bandeiras do Brasil e máscaras de tecido. Muitos homens estavam com latas de cerveja da mão, vendidas também por ambulantes.

Agressões contra jornalistas
No meio do protesto, profissionais ‘O Estado de S. Paulo’, conforme publicado pelo site do jornal, foram agredidos. O fotógrafo Dida Sampaio foi empurrado duas vezes por manifestantes, que desferiram chutes e murros nele. Já o motorista do jornal Marcos Pereira foi agredido fisicamente com uma rasteira. Os manifestantes gritavam palavra de ordem como “fora Estadão”. Os dois deixaram o local escoltados pela polícia e passam bem. Segundo o jornal, os repórteres Júlia Lindner e André Borges foram insultados, mas sem agressões.

A Polícia Rodoviária Federal acompanha a movimentação. A previsão é que sigam pela Esplanada até a Praça dos Três Poderes. Brasília tem registrado, até o momento, um número baixo de casos de contaminações e mortes por covid-19, porque boa parte da população tem respeitado as medidas de isolamento impostas pelo governo do Distrito Federal.

Nos últimos dias, porém, tem aumentado o número de pessoas circulando pela cidade, apesar de as estatísticas indicarem que o coronavírus ainda não chegou ao pico em nenhuma região do País. Em todos os locais, os números de casos e mortes são ascendentes.

Hoje Bolsonaro saiu do Palácio do Alvorada e visitou cidades de Goiás. Desrespeitando completamente todas as recomendações de isolamento social, o presidente causou aglomerações, abraçou pessoas e disse que as medidas de proteção são “uma irresponsabilidade”.

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