Sociedade Brasileira de Imunologia emite parecer contra uso da hidroxicloroquina em pacientes com COVID-19

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A decisão unânime contou com a opinião de 17 pesquisadores do Comitê Científico e cinco representantes da Diretoria

Foto: Genvial Fernandez / Agência Pixel Press / Estadão

Igor da Nóbrega, com Sociedade Brasileira de Imunologia

A Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) emitiu, na manhã desta terça (19), um parecer contra o uso da hidroxicloroquina em pacientes infectados pelo novo coronavírus. A decisão unânime contou com a opinião de 17 pesquisadores do Comitê Científico e cinco representantes da Diretoria.

“A escolha desta terapia, ou mesmo a conotação que a COVID-19 é uma doença de fácil tratamento, vem na contramão de toda a experiência mundial e científica com esta pandemia. Este posicionamento não apenas carece de evidência científica, além de ser perigoso, pois tomou um aspecto político inesperado. Nenhum cientista é contra qualquer tipo de tratamento, somos todos a favor de encontrar o melhor tratamento possível, mas sempre com bases em evidências científicas sólidas”, afirma trecho do documento.

O parece explica que a recomendação de uso deste remédio na COVID-19 é considerada precoce, já que diferentes estudos revelam existir benefícios para os pacientes que o utilizaram. “Além disto, trata-se de um medicamento com efeitos adversos graves que devem ser levados em consideração […] como retinopatias, hipoglicemia grave, prolongamento QT (que se relaciona com alteração da frequência cardíaca) e toxidade cardíaca”, destaca.

Os cientistas alertam sobre a necessidade de aguardar os resultados dos estudos feitos com a utilização da hidroxicloroquina, incluindo o coordenado pela Organização Mundial de Saúde. “Estudos multicêntricos prospectivos com uma maior abrangência amostral e desenhados de forma randomizada e duplo-cego são necessários para diminuir o viés de interpretação dos resultados obtidos para prover a comunidade científica e médica do suporte necessário para conclusões definitivas sobre a utilização da hidroxicloroquina no tratamento da COVID-19” pontua.

Para conferir o parecer na íntegra, clique AQUI.

Sobre a COVID-19

A COVID-19 é uma infecção causada pelo vírus SARS-CoV-2, que pertence ao subgrupo B do gênero Betacoronavirus da família Coronaviridae. A infecção humana provavelmente foi causada pela transmissão de um vírus circulante em espécies animais, possivelmente morcegos ou pangolins. Entretanto, até o momento, ainda não está completamente demonstrado a via de contaminação humana e a comunidade científica está ativamente estudando como esta zoonose acometeu a espécie humana.

O primeiro caso humano relatado ocorreu na província de Wuhan, na China, no dia 30 de dezembro de 2019. Devido ao alto grau de transmissão, principalmente por contato entre pessoas, o vírus rapidamente disseminou em todo o mundo. A OMS determinou emergência mundial de saúde em 30 de janeiro de 2020.

No Brasil, o primeiro caso confirmado aconteceu em 25 de fevereiro de 2020. Desde então, o número de casos vem crescendo, sendo motivo de preocupação para as autoridades de saúde pública. De acordo com o último boletim, expedido pelo Ministério da Saúde nesta segunda (18), o país registra mais de 240 mil casos comprovados de pessoas infectadas e de 16 mil óbitos registrados, com mais de 10 mil casos diários de novos casos e uma taxa de cerca de 800 óbitos por dia.

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