Bolsonaro deixa de vetar pontos do projeto anticrime para proteger filho, diz Sérgio Moro em entrevista

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O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública aponta incoerência do discurso pregado pelo presidente, durante a campanha eleitoral, ao se aproximar recentemente de parlamentares do ‘centrão’

Foto: Adriano Machado / Crusoé

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Durante entrevista à revista “Crusoé”, divulgada nesta sexta (29), o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, revelou que o presidente Jair Bolsonaro não vetou dois pontos do projeto anticrime para proteger o filho, o senador Flávio Bolsonaro.

“Me chamou à atenção um fato quando o projeto anticrime foi aprovado pelo Congresso. Infelizmente, houve algumas alterações no texto, que acho que não favorecem a atuação da Justiça criminal. Tirando a questão do juiz de garantias, houve restrições à decretação de prisão preventiva e também restrições a acordos de colaboração premiada. Propusemos vetos e me chamou à atenção o presidente não ter acolhido essas propostas de veto, especialmente se levarmos em conta o discurso dele tão incisivo contra a corrupção e a impunidade. Limitar acordos e prisão preventiva bate de frente com esse discurso. Isso aconteceu em dezembro de 2019, mesmo mês em que foram feitas buscas relacionadas ao filho do presidente”, afirmou Moro à Crusoé.

O ex-juiz da operação Lava Jato, em Curitiba, revela ainda incoerência do discurso pregado pelo presidente, durante a campanha eleitoral, ao fazer alianças com parlamentares do chamado ‘centrão’, que, segundo Moro, não transmitem uma imagem de ‘probidade’.

“No que se refere à agenda anticorrupção, de fortalecimento das instituições e aprimoramento da lei para tanto, sim, e já faz algum tempo. No que se refere às alianças políticas, o discurso do presidente era muito claro no sentido de que ele não faria alianças políticas com o Centrão e agora ele está fazendo. E a culpa por isso não pode ser posta em mim, dizendo: “Olha, foi preciso fazer aliança com o Centrão por causa da saída do Moro”. Não, isso precedeu a minha saída. Começou antes, pelo receio do presidente de sofrer um impeachment. A motivação principal da aliança é essa”, diz o ex-ministro.

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