Por causa da pandemia, PIB brasileiro encolhe 1,5% no primeiro trimestre

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Em relação ao primeiro trimestre de 2019, a queda não foi tão acentuada e o PIB recuou 0,3%

Foto: Evaristo Sá / AFP

Correio Braziliense

Afetada pela crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, a atividade econômica do país encolheu 1,5% no primeiro trimestre, na comparação com último trimestre do ano anterior. Em relação ao primeiro trimestre de 2019, a queda não foi tão acentuada e o PIB recuou 0,3%.

Os dados são do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais, divulgados nesta sexta-feira (29), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em valores correntes, a soma dos bens e serviços produzidos no Brasil, nos três primeiros meses do ano, chegou a R$ 1,803 trilhão.

A queda do PIB do primeiro trimestre, deste ano, interrompe a sequência de quatro trimestres de crescimentos seguidos e marca o menor resultado para o período, desde o segundo trimestre de 2015 (-2,1%). Com isso, o PIB está em patamar semelhante ao que se encontrava no segundo trimestre de 2012.

De acordo com a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, a retração da economia foi causada, principalmente, pelo recuo de 1,6% nos serviços, setor que representa 74% do PIB. A indústria caiu 1,4%, enquanto a agropecuária cresceu 0,6%.

“Aconteceu no Brasil o mesmo que ocorreu em outros países afetados pela pandemia, que foi o recuo nos serviços direcionados às famílias devido ao fechamento dos estabelecimentos. Bens duráveis, veículos, vestuário, salões de beleza, academia, alojamento, alimentação sofreram bastante com o isolamento social”, explicou.

Queda generalizada

Nos serviços, a queda foi generalizada, com a única variação positiva nas atividades imobiliárias, com leve alta de 0,4%. O destaque para os resultados negativos foram em outros serviços (-4,6%), transporte, armazenagem e correio (-2,4%), informação e comunicação (-1,9%), comércio (-0,8%), administração, saúde e educação pública (-0,5%), intermediação financeira e seguros (-0,1%).

Na indústria, o recuo foi puxado pelo setor extrativo (-3,2%), mas também apresentaram taxas negativas a construção (-2,4%), as indústrias de transformação (-1,4%) e a atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-0,1%).

“A construção civil está puxando sempre para baixo a parte da infraestrutura. O mercado imobiliário até que tem se recuperado, mas com o distanciamento social, em março, ficou um pouco prejudicado. Tanto que teve queda na ocupação no trimestre e também na fabricação dos principais insumos para a construção”, comentou Palis.

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