Brasil se une à Coreia do Norte e Venezuela ao omitir dados da COVID-19

0
523

O presidente Jair Bolsonaro explica que a decisão de não informar o total de mortes é “melhor para o Brasil”

Foto: Adriano Machado / Reuters

Época

A decisão do governo brasileiro de passar a omitir o balanço total de óbitos da Covid-19, a partir deste sábado (6), coloca o país ao lado da Venezuela ou do regime mais fechado do mundo, a Coreia do Norte, na gestão da transparência das estatísticas da pandemia.

“Ocultar e manipular dados é estratégia de regimes autoritários que deve ser rechaçada com veemência”, denunciou a organização Transparência Internacional.

Segundo o presidente Jair Bolsonaro, a decisão de não informar o total de mortes é “melhor para o Brasil”. O site do Ministério da Saúde, responsável pela publicação dos dados nacionais, ficou horas fora do ar na tarde de sábado. Ao retornar, reapareceu modificado – apenas o número de mortes das últimas 24 horas é mencionado, além dos novos casos registrados e os pacientes que se recuperaram da doença.

Em nota, republicada por Bolsonaro, o ministério explicou que a mudança “permite acompanhar a realidade do país”. “Ao acumular dados, além de não indicar que a maior parcela já não está com a doença, não retratam o momento do país. Outras ações estão em curso para melhorar a notificação dos casos e confirmação diagnóstica”, afirma o texto, que argumenta ainda que a atraso na divulgação dos dados ­­– agora feita às 22h – é para “evitar subnotificação”.

A alteração acontece um dia depois de o secretário especial da Saúde, Carlos Wizard, dizer que o governo vai “recontar” o número de mortos porque considera os dados “fantasiosos ou manipulados”.

Números venezuelanos são “falsos”, segundo ONG

No mundo, apenas a Coreia do Norte não informa as estatísticas da pandemia. Já a Venezuela divulga informações subestimadas sobre o alcance do vírus, de acordo com observadores internacionais. Em maio, quando o governo de Nicolás Maduro relatou 10 mortes no país, a organização Human Rights Watch denunciou que os números oficiais eram “falsos” e “absurdos”. Situação semelhante é encontrada na Arábia Saudita.

Deixar um comentário

Por favor, digite seu comentário
Por favor, coloque seu nome aqui