MPF denuncia Sara Winter por injúria e ameaça contra Alexandre de Moraes

0
333

Sara chamou o ministro de “covarde” e gravou um vídeo dizendo que queria “trocar soco” com o ministro

Foto: Ed Alves / CB / D.A Press

Correio Braziliense

O Ministério Público Federal (MPF) do Distrito Federal denunciou, nessa terça-feira (17), a militante de extrema direita Sara Fernanda Giromini, que se intitula Sara Winter, por injúria e ameaça, praticados de forma continuada, contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Em relação ao crime contra a Lei de Segurança Nacional, a representação enviada pelo ministro foi arquivada.

A denúncia se baseia em condutas que foram divulgadas por Sara nas redes sociais Twitter e YouTube. Em 27 de maio, quando houve busca e apreensão contra ela no âmbito do inquérito das fake news, Sara chamou o ministro de “covarde” e gravou um vídeo dizendo que queria “trocar soco” com o ministro, e que descobriria tudo sobre a vida do magistrado, incluindo os lugares que ele frequenta. “Nunca mais vai ter paz na sua vida”, afirmou.

“A gente vai infernizar a tua vida. A gente vai descobrir os lugares que o senhor frequenta. A gente vai descobrir quem são as empregadas domésticas que trabalham pro senhor. A gente vai descobrir tudo da sua vida. Até o senhor pedir pra sair. Hoje o senhor tomou a pior decisão da vida do senhor. (…) Isso não é uma ameaça, não. É uma constatação”

Lei de Segurança Nacional

Na denúncia, o procurador da República Frederick Lustosa relata que Sara “utilizou-se das redes sociais para atingir a dignidade e o decoro do ministro, ameaçando de causar-lhe mal injusto e grave, com o fim de constrangê-lo”. Se condenada, ela pode ser obrigada a pagar R$ 10 mil a Moraes por danos morais.

Lustosa também aponta que a conduta da militante não afrontou a Lei de Segurança Nacional porque não houve lesão real ou potencial ao que é protegido pela lei. A denúncia, segundo o MPF, levou em consideração também “precedentes verificados na Câmara de Coordenação Criminal do órgão”. Sobre eventual pedido de prisão preventiva, o procurador disse que não foram verificados requisitos jurídicos que o justificasse nesta investigação.

A reportagem aguarda manifestação da defesa de Sara. Em 4 de junho, sobre as ameaças, o advogado Bertoni Barbosa disse o vídeo feito por Sara foi logo depois de “a casa dela ter sido invadida” pela Polícia Federal.

“Nós sabemos que é o procedimento padrão da Polícia Federal, não vamos criticar a Polícia Federal de modo nenhum. Mas só que ela estava sob forte emoção e foi uma forma de responder ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, que foi quem deu a ordem de busca e apreensão”, afirmou.

Tochas
No final de maio, três dias depois de ter sido alvo de mandado de busca e apreensão no âmbito do inquérito das fake news, Sara organizou um protesto com o grupo em frente ao STF. Com tochas e máscaras, a imagem lembrou a muitos ações do Ku Klux Klan (KKK), organização racista originada nos Estados Unidos que fala em supremacia branca e já cometeu diversos atos violentos contra pretos.

Sobre esse caso, Frederick Lustosa concluiu que a “manifestação está inserida no contexto da liberdade de expressão”. Ele destacou atuar de maneira “isenta e desvinculada de qualquer viés ideológico ou político-partidário, muito menos suscetível a qualquer tipo de pressão interna ou externa”.

Na ocasião, o grupo que foi protestar em frente ao STF gritava “careca togado, Alexandre descarado”, “ministro, covarde, queremos liberdade”, “viemos cobrar, o STF não vai nos calar”e “inconstitucional, Alexandre imoral”, sempre como gritos de guerra guiados por Sara Winter.

Deixar um comentário

Por favor, digite seu comentário
Por favor, coloque seu nome aqui