CAIXA TEM: Mãe enfrenta falha há 1 mês e teme ser despejada com os 2 filhos

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Foto: Arquivo Pessoal

UOL

A atendente Kalyne Domingos, 25 anos, mãe de dois filhos pequenos, recebeu as duas primeiras parcelas do auxílio emergencial na conta pessoal, em Natal (RN). A mulher faz parte do primeiro lote de aprovados. Os R$ 600 vieram de maneira rápida e em boa hora. Mas isso até junho, quando precisou fazer o acesso ao aplicativo Caixa Tem.

Com a mudança da Caixa Econômica de criar contas para todos os beneficiários, a mãe de 25 anos tentou entrar na plataforma pela primeira vez. Ela enviou os documentos e uma selfie para validar as informações. Desde então, recebe a mensagem que os “dados estão sendo avaliados”.

Kalyne vive a necessidade de comprar leite e fralda para o filho mais novo, de 1 ano e 11 meses, e comida para a filha, de 5 anos. Antes da pandemia de coronavírus, a jovem trabalhava com carteira assinada como atendente de confeitaria e informalmente como bartender.

Por não poder esperar até setembro, quando está autorizada a sacar, ela tentaria mover o saldo para uma Fintech (empresa de tecnologia financeira) para pagar o aluguel e garantir um teto para morar, além de fazer compras em alguns estabelecimentos usando o QR Code.

Kalyne foi pessoalmente em uma agência da Caixa resolver a situação, mas não conseguiu.

Estou quase vivendo de caridade

Quando foi a segunda parcela, eu tentei o Caixa Tem. Fizeram as perguntas lá, pediram minha selfie e a foto da minha identidade. Fiquei tentando entrar, tentando entrar, tentando entrar… Não é um erro de agora, faz bem um mês.

É frustrante ver todo mundo acessando, todo mundo conseguindo pegar o dinheiro, todo mundo fazendo as coisas e eu não.

E agora estou assim, nesta situação. É ajuda de um, ajuda de outro. É difícil mesmo. Isso não existe.

Disseram que não resolveria na agência

Cheguei para pegar minha ficha, eu disse: ‘moça, vim porque não estou conseguindo entrar na minha conta, ela está dando erro’. Ela disse: ‘não, você não vai resolver isso não, está todo mundo reclamando’.

Eu falei que eu ia sim [ser atendida], que eu não saia dali. Relatei o que estava acontecendo, ela pediu meu email e minha senha e pronto. Quando cheguei em casa, tinha lá [no aplicativo] “nova senha”.

Só fiz a nova senha, eles nem me pedem um documento de novo, ainda estão avaliando.

Vou para a rua com dois filhos?

Eu consegui pagar o primeiro mês de aluguel. Mas, se eu não tiver [o dinheiro] até o final do mês, vou ser despejada.

Porque eu dependo do Caixa Tem. Não é por preguiça não. Eu tinha três empregos antes da pandemia.

Eu preciso pagar minhas contas, preciso pagar minha luz, pagar meu apartamento.

A pessoa fica sem luz, a pessoa fica sem gás, mas a pessoa não fica sem moradia. Eu vou pra onde? Pra rua com dois meninos?

A gente está em julho. Me diga, eu vou ter que esperar até setembro para poder pegar meu dinheiro? Setembro? É um absurdo.

É um auxílio emergencial, é uma emergência. E eu tenho que ficar esperando dois meses.

Mudanças da Caixa

A Caixa informou em nota “que tem realizado uma série de melhorias no Caixa Tem, otimizando soluções e infraestrutura para melhor atender a todos os brasileiros”.

Segundo o banco, já era possível verificar uma “diminuição brusca no tempo de espera para acessar o aplicativo”. Mas falhas ainda eram registradas em horários de pico.

Na semana passada, a Caixa anunciou mudanças na plataforma para diminuir a fila de espera de atendimento. O usuário passou a ter 72 horas de sessão ativa, na tentativa de evitar que a pessoa entre na fila novamente.

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