Vacina de Oxford tem resultado positivo em primeiros testes com humanos

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Os testes indicam que o imunizante é capaz de induzir forte resposta imune em duas frentes do sistema imunológico – as células T e os anticorpos

Foto: iStock

Abril

Desenvolvida pela Universidade de Oxfor, em parceria com a farmacêutica Astrazeneca, a vacina contra a Covid-19 teve resultados positivos na primeira fase de testes com humanos. Publicados na manhã desta segunda (2)0, na revista The Lancet, uma das mais reputadas publicações científicas do mundo, os testes indicam que o imunizante é capaz de induzir forte resposta imune em duas frentes do sistema imunológico – as células T e os anticorpos.

“O sistema imunológico tem duas maneiras de encontrar e atacar patógenos – respostas de anticorpos e células T. Esta vacina visa induzir ambos, para que possa atacar o vírus quando circula no corpo, bem como atacar células infectadas. Esperamos que isso signifique que o sistema imunológico se lembre do vírus, para que nossa vacina proteja as pessoas por um período prolongado. No entanto, precisamos de mais pesquisas antes de confirmarmos que a vacina protege efetivamente contra a infecção por SARS-CoV-2 e por quanto tempo dura a proteção. ”, disse o professor Andrew Pollard, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, principal pesquisador do estudo.

Os resultados preliminares são fruto do estudo fase 1/2, que envolveu 1.077 adultos saudáveis, com idades entre 18 e 55 anos, no Reino Unido. Os participantes que receberam a vacina, chama de ChAdOx1 nCoV-19, desenvolveram células T dentro de 14 dias após a vacinação e uma resposta de anticorpos em 28 dias. Os pesquisadores sugerem que haverá uma resposta ainda mais efetiva com uma segunda dose do fármaco, de acordo com um sub-grupo de estudo com dez participantes.

A presença de célula T indica uma resposta imune celular, que tem a função de encontrar e atacar células infectadas pelo vírus. Já os anticorpos são uma resposta imune humoral, que encontram e ataca o vírus que está em circulação no sangue ou no sistema linfático.

Os efeitos adversos apresentados foram brandos, em sua maior parte fadiga e dor de cabeça. A análise, no entanto, informa que os sintomas foram, em grande parte, controlados com o uso de paracetamol.

Os pesquisadores ressaltam que o estudo atual é preliminar demais para confirmar se a nova vacina é eficaz contra o coronavírus. Essa questão será respondida por ensaios de fase 2, realizados somente no Reino Unido, e de fase 3, em andamento no Reino Unido, Brasil e África do Sul.

Para ser considerada eficaz, uma vacina contra o SARS-CoV-2, nome oficial do novo coronavírus, deve ser capaz de oferecer proteção por um período mínimo de seis meses após a aplicação de uma ou duas doses. Além disso, é fundamental que ela seja capaz de reduzir a transmissão do vírus e funcione em populações-alvo, incluindo idosos e pessoas com outras condições de saúde.

Como foi conduzido o estudo

O estudo recém publicado foi realizado em cinco hospitais do Reino Unido entre 23 de abril e 21 de maio deste ano. Os dados incluídos no artigo cobriram os primeiros 56 dias após a aplicação da vacina, mas os participantes continuarão em acompanhamento.

Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos: 543 pessoas receberam a nova vacina e outras 543 receberam a vacina conjugada meningocócica, usada como controle neste estudo. Destes, 113 pessoas (56 do grupo da vacina e 57 no grupo controle) também foram orientados a tomar paracetamol antes e 24 horas após a vacinação para ajudar a reduzir possíveis reações.

Todos foram submetido a exames de sangue e avaliações clínicas para determinar se a vacina era segura e se provocou uma resposta imune. Os participantes também foram convidados a registrar quaisquer eventos adversos nesse período. Para fins de estudo, eles foram divididos em quatro subgrupos.

O grupo 1 , composto por 88 pessoas, formou a fase 1 do estudo. Para isso, esses participantes tiveram monitoramento de segurança adicional e avaliação de respostas de anticorpos e células T. O grupo 2, com 412 pessoas, precisou realizar exames de sangue extra para avaliar as respostas de anticorpos e células T, e o grupo 4, com 567 pessoas, precisou fornecer plasma para os pesquisadores avaliarem apenas a resposta de anticorpos.

Já o grupo 3, composto por apenas 10 pessoas, não houve controle. Todos os participantes receberam a vacina contra Covid-19. A diferença é que em vez de apenas uma dose, eles receberam duas, que foi administrada 28 dias após a primeira vacina. O objetivo era determinar a segurança da aplicação de mais de uma dose e verificar se essa estratégia aumenta as respostas de anticorpos e células T.

Como relatado anteriormente, a vacina foi considerada segura. Os efeitos adversos incluíram fadiga, dor de cabeça, dor no local da injeção, dor muscular, mal-estar, calafrio, sensação de febre e febre de fato. No entanto, os participantes do grupo que foi orientado a tomar paracetamol durante a vacinação apresentaram menos dor, calafrios, sensação de febre, dor muscular, dor de cabeça e mal-estar nos dois dias após a vacinação. Além disso, nas 10 pessoas que receberam a dose extra da vacina contra Covid-19, os efeitos colaterais foram menos comuns após a segunda dose.

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