Pantera Negra de Wakanda para o mundo

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Foto: Divulgação / Filme

Fábio Ronaldo

Para quem assistiu Pantera Negra (Black Panther, 2018) sabe que este é o
filme mais politizado do universo cinematográfico Marvel e que não teve receio em falar de questões raciais do passado e do presente nos EUA. 18º filme da franquia dos heróis, teve a segunda maior bilheteria dos filmes da Marvel, perdendo apenas para Vingadores: Ultimato, lançado um ano depois.

Com direção de Ryan Coogler (Creed: Nascido para lutar e Fruitvale Station: A última parada) o filme é uma adaptação das aventuras do primeiro super-herói negro criado em 1966 pela Marvel e apresenta a história de T’Challa (Chadwick Boseman) que, ao ganhar os poderes de Pantera Negra, se torna líder do Reino de Wakanda e tem como missão, unir as nove tribos do reino e proteger o vibranium (isso mesmo, aquele metal que é feito o escudo de Capitão América), um tipo de tecnologia bastante avançada.

A primeira cena do filme acontece no estado da Califórnia, na cidade de
Oakland. Foi lá que surgiu, em 1966, o Partido dos Panteras Negras como uma reação após vários episódios de violência policial contra a população negra.

Tanto os Panteras Negras quanto outros movimentos e líderes negros lutaram pela garantia de igualdade civil e o fim da segregação racial. Nesta luta, dois nomes que se destacaram foi o de Martin Luther King Jr., que pregava o ativismo pacífico para a conquista de direitos, sendo assassinado em 1968 e Malcom X que, junto com os Panteras, acreditava que apenas com métodos violentos e revolucionários seria possível superar a opressão. Killmonger (Michael B. Jordan), o “vilão” do filme representa bem essa tensão social e faz questão de relembrar os anos de escravidão vivenciados pelos antepassados africanos.

Killmonger acredita que, por todo o sofrimento vivenciado por outras gerações, ele merece ser o novo Pantera Negra, assim poderá armar o seu povo oprimido para se vingar do opressor. T’Challa pensa o contrário, ele acredita que o povo deve se defender, mas sem realizar ataques. Assim, através de uma fantasia, magistralmente Ryan Coogler convida o espectador a refletir sobre a realidade.

Wakanda representa riquezas e potencialidades dos países africanos, mas que possui uma instabilidade política, cabendo ao Pantera Negra pacificar a nação. Historicamente, o continente africano teve suas riquezas naturais exploradas e roubadas durante muitos anos por países ricos e, paralelamente, grupos militares locais disputavam o poder dos territórios. Mesmo na fantasia Pantera Negra faz questão de se ligar com a realidade.

O filme inclusive mostra que, mesmo em um reino fictício como Wakanda, há problemas reais. Formado por tribos, mesmo possuindo uma metrópole
afrofuturista, no reino também existe periferia.

Como todos filmes de super-heróis, Pantera Negra tem momentos de tensão e ação até chegar em uma guerra civil. Destaque para Shuri (Letita Writgh), a irmão mais nova de T’Challa, o agente Everett K. Ross (Martin Freeman) e o vilão Garra Sônica (Andy Serkis) responsáveis por trazer o humor para aliviar um pouco a tensão do filme.

Mesmo sendo uma produção com um protagonista masculino, as personagens femininas não estão em segundo plano, é como se não existissem coadjuvantes. E elas assumem papéis de representatividade e poder. Outro ponto positivo do filme.

Com ótimas atuações e um roteiro bastante consistente, Pantera Negra é o
primeiro filme de super-heróis da Marvel com um herói negro de origem
africana, com um elenco quase que totalmente composto por pessoas negras, sendo uma grande homenagem a cultura africana e a história do povo negro.

O filme, que ganhou três estatuetas no Oscar, se tornou um grande
instrumento na luta antirracista, principalmente neste ano de 2020 em que a violência contra a população negra tem aumentado de forma assustadora. De acordo com a ONU, no Brasil, a cada 23 minutos uma pessoa negra é
assassinada.

Chadwick Boseman, ator que dá vida ao Pantera Negra, morreu vítima de um câncer, mas ficará eternizado por sua ótima atuação em um filme sobre representatividade que traz um herói que parece conosco, é inspirador e nos faz ter coragem para assumirmos a nossa consciência racial e ação política contra o racismo estrutural. Yibambe!

Wakanda Forever!

Direção: Ryan Coogler
Roteiro: Joe Robert Cole, Ryan Coogler
Elenco: Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong’o, Letita Wright, Martin Freeman, Daniel Kuluuya, Angela Basset, Danai Gurira, Forest Whitaker, Andy Serkis
Duração: 134 min

Imagem: Cartaz / Divulgação

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