A História de um Ritmo em Axé – O canto de um povo

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Foto: O canto de um povo / Divulgação

Fábio Ronaldo

“Vem, meu amor (me tirar da solidão), vem para o Olodum, vem dançar no Pelô, vem, meu amor, chega pra cá, me dá a mão (…).” Certamente você já ouviu o trecho dessa música do Olodum em alguma rádio ou carnaval e dançou bastante ao som desse grande sucesso da axé music.

Caso não seja o seu caso – para quem quer relembrar esse e outros hits – a sugestão é ver Axé – O canto de um povo (2016) documentário de Chico Kertész (diretor de clipes de Cláudia Leitte, Daniela Mercury, Denny Denan, Harmonia do Samba, dentre outros) e que está disponível na Netflix.

Gênero musical que mescla elementos da música afro, do reggae e do pop, o axé ou axé music festeja 35 anos neste nada dançante 2020, e tem a sua história muito bem contada através de relatos de muitos artistas, que cantaram e dançaram em velhos carnavais, além de produtores, empresários e radialistas que nos ajudam a entender esse ritmo que foi um fenômeno em décadas passadas no Brasil.

O documentário busca encontrar o marco zero (Luiz Caldas), o momento onde tudo começou e utiliza muitas imagens de arquivos o que nos faz conhecer (ou relembrar) um pouco dos antigos carnavais, de como surgiu o trio elétrico, a forma como esses cantores conseguiam espaço nos programas globais, dos jabás e sabotagens que existiram nas rádios e de como o povo vivia o famoso carnaval de Salvador.

O POVO é apenas coadjuvante na história contada por Kertész. Os artistas são as estrelas e quem conta a história. Isso não tira o mérito dessa obra tão importante que nos faz entender um pouco o sucesso desse gênero musical, mas sem o povo não existe artista, não é mesmo?

O filme levou dois anos para ser produzido e traz os relatos de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Netinho, Bell Marques, Daniela Mercury, Saulo Fernandes, Sarajane, Ivete Sangalo e muitos outros artistas que reconhecem a importância de artistas como Luiz Caldas, Gerônimo, as bandas Mel e Reflexu’s, É o Tchan que contribuíram, de diferentes formas a consolidar e internacionalizar esse ritmo.

Axé tem vários momentos que emocionam, como por exemplo, ouvir os tambores do Olodum durante a gravação do clipe de Michael Jackson no Pelourinho ou quando vemos Daniela Mercury fazendo tremer, literalmente, as estruturas do MASP em uma apresentação em São Paulo. E tome saudosismo, pai!

Lembrar também é esquecer e, apesar de tantos e importantes nomes que aparecem para falar sobre a história do axé, artistas como Cid Guerreiro e Margareth Menezes não aparecem no documentário e eles também são importantes nessa história.

Vale muito a pena ver o filme, não apenas para conhecer esse ritmo que fez e faz muita gente dançar e que busca sempre se reinventar, mas também para (re)ver um Brasil alegre, onde o povo ia às ruas, sem medo, para brincar o carnaval atrás de um trio elétrico, “dançando ao negro toque do agogô, curtindo a baianidade nagô…”

Axé – Canto do Povo de um Lugar – Brasil /2016
Direção: Chico Kertész
Roteiro: Chico Kertész, Jaime Martins
Elenco: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Saulo Fernandes, Vovô do Ilê Ayê, Netinho, Beto Jamaica, Claudia Leitte, Luís Caldas, Bell Marques, Ricardo Chaves, Sarajane, Márcia Short, Tonho Matéria
Duração: 110min

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