Após Anvisa suspender Coronavac, Bolsonaro diz que “ganhou” de Doria

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O imunizante contra a covid-19 é desenvolvido pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan

Foto: Adriano Machado / Reuters

UOL

Mais uma vez, o presidente Jair Bolsonaro usou a suspensão pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) dos testes da vacina Coronavac para atacar o governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP). Nesta terça (10), o chefe do Poder Executivo citou sua rixa com o tucano por causa da vacina e escreveu no Facebook que “ganhou mais uma”.

O imunizante contra a covid-19 é desenvolvido pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo, e a Anvisa suspendeu ontem seus testes clínicos após um “evento adverso grave” registrado no dia 29 de outubro. A agência não disse qual foi o problema relatado, mas listou que entre possíveis “eventos graves” estão reações sérias, morte, anomalia e internações prolongadas.

Na manhã de hoje, Bolsonaro listou ações de seu governo no combate à covid-19. Um usuário, então, perguntou se o Brasil poderia comprar e produzir a vacina. Em resposta, o presidente citou três dos efeitos listados hipoteticamente pela Anvisa e ainda recordou uma de suas desavenças com Doria, sobre a obrigatoriedade ou não dos imunizantes.

“Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Dória queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la. O Presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha”, destacou o
presidente no Facebook

A suspensão dos testes é uma prática comum para esclarecimentos quando um efeito adverso grave é detectado. Outros testes de vacinas contra o coronavírus, como a desenvolvida em parceria entre a Universidade de Oxford e o laboratório sueco Astrozeneca, também já passaram por breves interrupções por eventos similares e foram retomados.

Na nota emitida na noite de ontem, a Anvisa citou todos os efeitos adversos graves previstos para a interrupção dos testes, mas não especificou qual foi verificado no caso em questão. Só uma investigação médica indicará se existe alguma relação com o imunizante.

O diretor do instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou tratar-se de um óbito sem qualquer relação com os testes do imunizante.

Briga com Doria

Com o comentário, Jair Bolsonaro retoma o embate que tem travado com Doria desde o início da pandemia. O presidente tem tratado a Coronavac como “vacina chinesa do Doria” e recentemente cancelou uma parceria firmada entre o Ministério da Saúde o Governo de São Paulo para a aquisição do imunizante.

Outro ponto de atrito é a obrigatoriedade da vacina. Doria se mostrou favorável à possibilidade no Estado de São Paulo, o que tem gerado críticas constantes de Jair Bolsonaro e seus seguidores.

Em outra resposta a um internauta, que sugeria que o presidente se vacinasse como cobaia de vacinas, Bolsonaro voltou ao tema: “quem a quer obrigatória não sou eu. Estás na página errada. Bom dia”.

Fase 3 dos testes da Coronavac

A Coronavac está na fase 3 de testes, a última para comprovar sua eficácia.

Nesta fase, os voluntários são divididos em dois grupos: um recebe a vacina e outro, placebo —uma substância sem efeito. Somente um comitê internacional sabe quem tomou ou não o imunizante. Os voluntários são monitorados por este grupo porque é preciso que 61 deles sejam infectados pelo novo coronavírus.

Os testes do imunizante desenvolvido pela Sinovac ocorrem em outros países, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), como Indonésia e Turquia.

A suspensão dos testes pela Anvisa ocorreu no mesmo dia em que João Doria anunciou que o primeiro lote da Coronavac chegaria a São Paulo no dia 20 de novembro. A aplicação de qualquer medicamento ou imunizante, porém, depende de aprovação da agência nacional reguladora.

Post sobre ações do Governo

O comentário sobre Doria ocorreu depois de uma extensa publicação nas redes sociais na qual Bolsonaro fala sobre ações do governo federal no combate à pandemia de covid-19.

Entre as medidas, o presidente mencionou, como um dos esforços promovidos pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, estudos sobre a nitazoxanida no tratamento precoce da covid-19. Segundo pesquisas médicas, porém, o vermífugo não evita complicações da covid-19, apenas reduz a carga viral do coronavírus.

Nas postagens, o presidente reforçou o caráter nacional das medidas implantadas e defendeu que o Brasil ganhou independência de importações como, por exemplo, a de ventiladores pulmonares.

“O ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, e o presidente Jair Bolsonaro trabalham, desde fevereiro, ao lado da ciência, no combate à covid-19”, escreveu Bolsonaro.

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