Médico se desliga do Hospital de Gravatá por conta de sobrecarga de trabalho; secretário de Saúde se pronuncia

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Em contrapartida, o secretário de Saúde afirma que a pasta está passando por uma reestruturação, para melhorar a atenção primária na saúde da cidade

Foto: Bruna Oliveira / SECOM

Igor da Nóbrega

Após quatro anos de atividades, o médico plantonista Carlos Fraga anunciou, no início desta semana, desligamento das atividades no Hospital Municipal de Gravatá, no Agreste de Pernambuco. O motivo teria sido a diminuição do número de médicos por parte da atual gestão.

“Conheço as nuances do plantão de Gravatá. Tenho conhecimento suficiente, depois de quatro anos de casa, para saber que vai ficar impraticável exercer a minha função com o mínimo de dignidade e segurança para os pacientes. A sobrecarga de trabalho dos médicos, associado a cobrança da gestão, acabará deixando as relações entre a equipe médica e de enfermagem muito fragilizadas, devido o estresse, ao meu ver”, relatou Carlos Fraga, num grupo de médicos no WhatsApp.

O plantonista relata que ainda tentou, junto à direção do hospital, manter os quatro médicos na escala de trabalho, assim como acontecia na gestão do ex-prefeito Joaquim Neto (PSDB). “Fiz todo o possível, sugeri redução salarial e o não pagamento do quinto. Infelizmente, na última reunião, cheia de ataques desrespeitosos a classe médica, e ainda levada essa discussão para dentro do hospital ,sexta-feira passada, decide não me sujeitar mais a esse ambiente pesado e insalubre para mim”, desabafou .

Por fim, Carlos Fraga deixa uma mensagem aos colegas de trabalho. “Gosto de tratar com coleguismo, amizade, respeito e afeto a todos os funcionários do meu ambiente de trabalho e gosto de ser tratado dessa mesma forma também. Um forte abraço desse colega que sempre se dedicou ao máximo em todos os momentos que estive aqui”, concluiu.

Secretário de Saúde fala sobre o assunto

Nossa redação entrou em contato com o secretário de Saúde, José Edson de Souza, que nos enviou uma nota sobre o caso:

Boa tarde. Estamos na Secretaria de Saúde de Gravatá numa reestruturação, até porque, a reclamação da população, nos últimos anos, foi realmente a saúde em Gravatá. Sempre tivemos essa preocupação, o prefeito eleito padre Joselito teve essa preocupação, até porque, durante toda a sua trajetória de campanha, foi reclamado sobre a saúde não estar funcionando. Aí nós viemos para cá com esse intuito de reestruturar a saúde. Nessa reestruturação, nós entendemos que o hospital não é o centro de tudo. Ele trata da saúde, mas ele não é a saúde da população. A saúde é dada pela promoção de saúde, que é feita nas Unidades Básicas de Saúde e tinham várias UBS´s que estavam sem profissionais – médico e enfermeira. Nós estamos reestruturando e reorganizando as unidades, colocando médicos em todas elas, colocando os enfermeiros, colocando os profissionais, com toda a estrutura de medicação, de equipamentos e tudo mais, para que elas funcionem bem e a população procure a unidade próxima de sua casa, que vai lhe atender da melhor forma possível, com um atendimento mais qualificado.

O hospital ficará com as urgências e emergências. Então, nesse caso, em relação ao hospital, 85% do atendimento é ambulatorial. Até mesmo, as pessoas daqui de Gravatá se dirigem ao hospital para verificar a pressão arterial, que deve ser verificada na Unidade Básica de Saúde. O diabético, o hipertenso e a gestante devem ser assistidos na sua unidade. Com isso, a gente quer ter uma saúde de qualidade, que é fazendo a prevenção e promoção da saúde. Contudo, nessa reestruturação, nós estamos reduzindo o número de atendimentos de urgência e emergência com três médicos, mas ficará um quarto para atender os pacientes de ambulatório e redirecioná-los para suas unidades. Nada mais justo fazer isso para a população, para que ela fique bem informada que sua Unidade Básica de Saúde, próxima a sua casa, vai estar funcionando durante todo o dia. No caso daquelas urgências e emergências que procuram à noite, terão o atendimento normal no hospital.

Esse foi o nosso objetivo de melhorar a questão do atendimento e redirecionar toda a saúde, tratando também algumas questões que não estavam sendo vistas em Gravatá, como é o caso da prevenção de muitas doenças. No programa nacional, nós estávamos na eminência de ter o surto de várias doenças. Agora, nós estamos redirecionando e fazer tudo acontecer nessa lógica do atendimento e da atenção primária da saúde, que é onde a saúde começa. Nós não reduzimos absolutamente nada, mas estamos melhorando e aumentando a atenção primária na saúde de Gravatá.

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