Novo ministro da Saúde é contra recomendação da Fiocruz e afasta possibilidade de apoiar lockdown nacional

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A Fiocruz recomenda a adoção de um lockdown com restrição das atividades não essenciais por cerca de 14 dias

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

Correio Notícias, com Agência Brasil

A um passo de ver o sistema de saúde brasileiro colapsar, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afastou, nesta quarta (24), a possibilidade de apoiar um lockdown nacional, ao afirmar que pretende adotar medidas sanitárias eficientes para evitar o fechamento de comércios não essenciais. Ele ressalta que é preciso ouvir as autoridades sanitárias e reforçar a vacinação.

A posição do ministro vai na contramão da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que recomendou a adoção imediata de medidas de restrição de circulação de pessoas, incluindo o fechamento completo de todas as atividades – exceto as essenciais – em 24 estados, mais o Distrito Federal.

Com exceção de Amazonas e Roraima, todos as demais unidades da Federação estão com mais de 80% dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para Covid-19 ocupadas. Os piores números são os das regiões Sul e Centro-Oeste, em que todos os estados e o Distrito Federal estão com taxas superiores a 96%.

A Fiocruz recomenda, no mais recente Observatório Covid-19, divulgado na noite de terça (23), a adoção de um lockdown com restrição das atividades não essenciais por cerca de 14 dias. Segundo a fundação, esse é o tempo mínimo necessário para redução significativa das taxas de transmissão e número de casos, como também da redução das pressões sobre o sistema de saúde. A Fiocruz defende, ainda, um toque de recolher em todo país, das 20h às 6h, e, durante os finais de semana, o fechamento de praias e bares. Propõe, também, a suspensão das atividades presenciais de todos os níveis da educação e a adoção de trabalho remoto sempre que possível, nos setores público e privado.

No entanto, não é por este caminho que o novo ministro pretende seguir, apesar de ressaltar a importância de se ouvir as autoridades sanitárias. Questionado sobre a necessidade de fazer um lockdown, diante da grave situação dos estados, Queiroga afirmou que “ninguém quer” e que o que se pensa é em medidas para evitar o fechamento mais restrito das atividades comerciais. “O que nós temos, do ponto de vista prático, é adotar medidas sanitárias eficientes que evitem o lockdown. Até porque a população não adere. Vamos buscar uma maneira de disciplinar essa movimentação social, esse distanciamento para que se evite (o fechamento total)”, pontuou. (Com BL, MEC e ST)

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