Governo Federal enviará 5,1 mil concentradores de oxigênio para Nordeste

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No último sábado (29), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, visitou hospitais de Gravatá e Bezerros e se reuniu com o secretário de estado de Saúde de Pernambuco, André Longo

Imagem Ilustrativa / Toa55 / Getty Images

Correio Braziliense

O aumento no número de casos de Covid-19 disparou o sinal de alerta para uma possível falta de oxigênio em municípios da região Nordeste. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, está no Agreste pernambucano para verificar, in loco, a situação. Durante a visita, o titular da pasta informou que o Governo Federal enviará 5,1 mil concentradores de oxigênio para reforçar os estoques das unidades de atendimento a pacientes com coronavírus. O ministro do Turismo, Gilson Machado, compôs a comitiva.

No último sábado (29), Queiroga visitou hospitais de Gravatá e Bezerros e se reuniu com o secretário de estado de Saúde de Pernambuco, André Longo. Na manhã deste domingo (30), o ministro esteve em Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe. Questionado sobre um possível colapso no fornecimento de oxigênio, a exemplo do ocorrido em janeiro em Manaus (AM), Marcelo Queiroga afirmou que o governo está trabalhando para evitar o problema. “Estamos visitando a região, pois sabemos que há ameaça de colapso no sistema de saúde, sobretudo em função do insumo oxigênio. O ministério já providenciou para essas regiões 5.100 concentradores de oxigênio. Para Pernambuco, serão 148 concentradores”, explicou.

O ministro enfatizou que, mesmo com os esforços e uma ação preventiva para evitar a falta de concentradores na região, “lidamos com a imprevisibilidade biológica, porque esse vírus sofre mutação e pode ter variantes que podem ter comportamento biológico diferente, o que leva pressão maior para o sistema de saúde”, esclareceu Marcelo Queiroga, que destacou a complexidade logística para a distribuição do insumo.

Durante a visita aos municípios do agreste pernambucano, Marcelo Queiroga foi questionado sobre o envio de mais vacinas para a região. A prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB-PE), solicitou o reforço nas doses destinadas à região. De acordo com relatório de vacinação do município, até o dia 29, 92.050 doses do imunizante já foram aplicadas. Caruaru é a maior cidade do interior do estado e possui mais de 365 mil habitantes.

O ministro justificou a demora no envio dos imunizantes em virtude da grande disputa internacional pelas vacinas. No final do mês de abril, Caruaru teve que adiar a aplicação da segunda dose da Coronavac, por falta de imunizantes. Segundo Queiroga, o governo federal pretende atingir a marca de 100 milhões de vacinas disponibilizadas até o final de junho. Para isso, afirmou que já estão assegurados 40 milhões de doses, a serem entregues em remessas semanais nos próximos 30 dias.

“Só com a Pfizer, temos um contrato de 200 milhões de doses de vacinas. Agora, em 1º junho, assinaremos acordo de transferência de tecnologia entre a indústria Astrazeneca e a Fiocruz, colocando o Brasil na vanguarda de países que têm capacidade com autonomia de produzir vacinas. Há também, negociações com outras farmacêuticas para buscarmos antecipar doses. Agora, é um contexto que não é simples, porque é uma emergência em saúde pública internacional”, completou.

Omissões

O atraso na aquisição de imunizantes pelo governo federal foi um dos temas recorrentes nos primeiros 30 dias da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid. Em seu depoimento, o presidente da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, confirmou a demora do Executivo na negociação dos imunizantes. A empresa fez três ofertas de vacina ao Brasil ainda em agosto do ano passado: nos dias 14, 18 e 26 daquele mês. Aos parlamentares, ele informou que as ofertas seriam de 30 milhões de doses ou de 70 milhões de doses e tinham validade de 15 dias, mas não foram respondidas pelo governo brasileiro.

A possível omissão no fornecimento de oxigênio em Manaus também foi amplamente discutida durante as oitivas. O ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, negou conhecer de forma antecipada a gravidade da situação na capital amazonense e jogou para o governo do estado a responsabilidade sobre o problema. A visita de Marcelo Queiroga ao sertão nordestino aponta para a preocupação do governo federal com uma nova crise por desabastecimento.

Mortes

O Brasil registrou 874 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas. Os dados são do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (CONASS). Pela última atualização, o país contabiliza 461.931 mortes, desde o início da crise epidemiológica. A média móvel de óbitos registrada foi de 1.838 e segue em ligeiro crescimento.

Ainda de acordo com o boletim epidemiológico, no mesmo período, foram notificados 43.520 novos casos, totalizando 16.515.120 pessoas infectadas pelo coronavírus. Até as 18h de ontem, os dados divulgados não contabilizam o número de casos e de óbitos no estado da Bahia.

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